domingo, 16 de fevereiro de 2014

Falta d'água: novos hábitos

            Agrava-se a crise da água nas metrópoles brasileiras. Falta água para atender as necessidades básicas do cidadão da metrópole. Falta água nas hidroelétricas para a geração de energia elétrica. Com pouca água e com reduzida disponibilidade de energia elétrica a vida nos centros urbanos vira um inferno.
 
            Nos momentos de crise somos forçados a adotar novos hábitos. As posturas adotadas nos momentos de fartura precisam ser alteradas. E quando o assunto é água, essa mudança de hábito envolve uma reflexão séria sobre o desperdício.
 
            É fundamental termos consciência que a sociedade moderna, embalada pela onda do "produto descartável", passou a conviver com um componente cultural muito perigoso: o desperdício. 
 
  Em média, as grandes metrópoles brasileiras desperdiçam diariamente 50% da água disponibilizada para a população. As empresas distribuidoras de água no Brasil convivem com esses números há mais de quatro décadas. Esse desperdício estrutural é causado principalmente pelos vasamentos nas redes de distribuição de água para a população. Portanto, as concessionárias de água devem alterar seus hábitos de gestão, que tratam esse desperdício como algo aceitável. 

 
            Do ponto de vista individual, é sabido que o brasileiro aprecia um banho bem demorado, especialmente os jovens, que às vezes passam de quarenta a cinqüenta minutos debaixo do chuveiro. De vez em quando, alguns desses jovens são criticados por seus pais, que reclamam dizendo coisas do tipo: “menino, acaba logo esse banho, não fique gastando água sem necessidade”. Os mesmos pais que passam mais de uma hora com a mangueira aberta, enquanto lavam o carro da família ou que varrem diariamente a calçada com a conhecida “vassoura d’água”. Afirmam os psicólogos e pedagogos que os filhos tomam os seus pais como modelos. Hora de perguntar: Esses pais, gastadores contumazes de água, conseguirão transformar seus filhos em pessoas preocupadas com o desperdício desse líquido tão precioso? Muito pouco provável.

 
            Já que estamos tratando do desperdício doméstico, aproveitamos para apresentar alguns números relacionados com o assunto. São valores médios, que dão uma idéia sobre gastos envolvendo atividades corriqueiras, como por exemplo: torneira pingando: 46 litros por dia; banho de 20 minutos, com chuveiro continuamente ligado: 120 litros; escovar os dentes com a torneira aberta: 18 litros; filete de água de três milímetros, em torneira que apresente vazamento: 8000 litros por dia; lavagem de carro com mangueira: 246 litros.
 
            Considerando que o combate ao desperdício envolve mudança de hábito, é importante que este assunto passe a fazer parte das conversas diárias entre pais e filhos, do debate rotineiro nas salas de aula e de ações de sensibilização continuadas. Só assim poderemos contribuir para a construção de uma sociedade que faça uso otimizado deste bem que a cada ano se torna mais escasso.
 
          E como a escassez de água já é uma realidade na maioria dos grandes centros urbanos brasileiros, precisamos exigir a criação de programas permanentes de combate ao desperdício d’água, envolvendo principalmente a mídia televisiva. Não se forma uma consciência de combate ao desperdício, de valorização e preservação da água, utilizando-se de campanhas esporádicas. Necessitamos de uma campanha permanente, com penetração em todos os segmentos da sociedade, para darmos um salto de qualidade nessa área comportamental. Talvez devêssemos lançar a campanha “Desperdício Zero”.

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