sexta-feira, 3 de abril de 2015

Crise hídrica: falta d'água e imobilismo

Segundo os institutos de meteorologia, está próximo o fim do período de chuvas.
 
No Sudeste, os reservatórios recuperaram um pouco as suas capacidades de armazenamento com as chuvas de março. Porém, a situação está longe da normalidade. A ameaça de racionamento continua rondando os habitantes da Região Metropolitana da capital paulistana e também de mais algumas cidades dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.
No Nordeste, a situação é alarmante para dezenas de municípios. Segundo levantamento feito pelo Ministério da Integração Nacional, mais de cinquenta municípios já se encontram em estado de “colapso hídrico”. Esse número pode ultrapassar a casa da centena, caso o “regime de chuvas não melhore na região”. No interior nordestino, onde a crise é mais severa, o abastecimento das comunidades está sendo feito com auxílio de “carros pipas”. Em alguns casos, a período sem água para a população chega a 15 dias.

Para os nordestinos, a esperança para barrar a crise hídrica fica por conta da perspectiva de finalização das obras de transposição do Rio São Francisco, prevista para 2016. Enquanto isso, só resta ao sertanejo rezar para São Pedro.

Por outro lado, na quase totalidade dos centros urbanos, o desperdício de água continua acontecendo. Tanto no uso doméstico quanto no uso industrial. Um contingente significativo da população continua se portando como “analfabetos hídricos”. Pessoas que precisam ser educadas para o uso otimizado da água.

E, à medida que a crise se agrava, o governo fica marcando passo com respeito à implementação de programas de formação de conscientização do uso racional da água. Para se ter ideia dessa morosidade, basta citar que está parada a formulação da campanha preparada pelo Governo Federal voltada para o uso racional da água. A causa dessa paralização é um impasse entre a Secretaria de Comunicação do governo e o Ministério do Meio Ambiente com respeito às causas da alteração no regime de chuvas no país. Estão discutindo se a causa tem relação ou não com o aquecimento global. Ou seja, estão discutindo filigranas técnicas enquanto milhões de brasileiros passam sede ou têm sua qualidade de vida degradada pela falta de água.

Se a proposta é educar a população, visando o uso racional da água, essa campanha já deveria estar sendo aplicada. Se o governo reconhece que o cidadão precisa colaborar para a redução do desperdício e também para o uso adequado da água, por que não adota ações rápidas e efetivas para formar uma consciência coletiva sobre a importância do uso otimizado dos recursos hídricos?

Falta ação e sobra imobilismo.

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